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VOCÊ SABE O QUE É ZOROATRISMO?

06 OUT 2019
06 de Outubro de 2019

A religião de Mazda e Mainyu, os deuses gêmeos - 


Portanto, grandioso és, ó SENHOR Deus, porque não há semelhante a ti, e não há outro Deus senão tu somente (2Sm 7.22)


Dois princípios supremos, o bem e o mal, caracterizavam o zoroastrismo. Substituído pelo islamismo, o zoroastrismo reduziu-se a grupos no Irã e na Índia, mas deixou traços em algumas grandes religiões.

Zoroastrismo é um antigo sistema religioso-filosófico que repousa no postulado básico de uma contradição dualista, a do bem e do mal, inerente a todos os elementos do universo. Sua fundação é atribuída a um homem que teria vivido cerca de seiscentos anos antes do nascimento de Cristo, e cujo nome serviu de batismo a esta comunidade religiosa – Zoroastro. Este personagem é originário da região babilônica, extremamente produtiva em matéria de religião e que atualmente está ocupada pelo Irã e Iraque. Seu nome deriva de uma variação grega do original – Zarathushtra, este, essencialmente persa. Não há informações precisas sobre a data e o local de seu nascimento, mas o próprio nome leva à inferência de uma natalidade ocorrida na Pérsia (atual Irã) e a tradição, quanto ao nascimento, propõe um período que se aproxima de 650 a.C. Entretanto, estudiosos do tema, como Richard Cavendish, declaram haver muitas dúvidas quanto a estes dados.


Como surgiu o zoroastrismo

Este sistema religioso possui “bases históricas” extremamente frágeis. Ele teria sido fundado por Zoroastro, personagem para o qual sequer se consegue definir local de estada, onde porventura tenha passado sua vida, por quanto tempo viveu e quanto do zoroastrismo posterior a ele preservou suas idéias.

A única base para uma análise é a tradição que o coloca instalado na parte ocidental do Irã, no século VI a.C., num período pouco anterior ao Buda indiano. Porém, contestando a tradição, estudos mais modernos passaram a propor uma existência na região nordeste do Irã, entre as divisas dos atuais Afeganistão o Turcomenistão. Estes dois posicionamentos são os mais aceitos.

Segundo a tradição Zoroastro teria sido filho de um comerciante de camelos, este, nascido e criado numa época em que seus conterrâneos persas eram dados à adoração de vários deuses. A adolescência de Zoroastro já registrava momentos de manifesto interesse pelas questões religiosas e de meditação nas mais profundas dúvidas do homem quanto aos mistérios da vida. A postura de compaixão lhe concedeu renome entre os seus contemporâneos, destacada a condolência que sempre demonstrava, em especial para com os idosos.

Sua educação teria sido privilegiada, considerando que toda a sua formação advinha das melhores escolas de mestres existentes na Pérsia. A inquietude, porém, não o abandonava, e Zoroastro, aos vinte anos de idade, preferiu deixar o lar e os pais, para partir em busca das respostas a suas dúvidas existenciais. Neste período de buscas, tantos quantos passaram por Zoroastro, tornavam-se alvos de seus questionamentos religiosos.

Segundo narra a tradição, durante todo este período de intermináveis inquirições, Zoroastro teria empregado suas habilidades médicas para beneficiar aqueles que eram constantemente vitimados pelas guerras incessantes ocorrentes à época.

Ao atingir a idade de trinta anos, teria alcançado a iluminação, sucedida às margens do rio Daitya, quando numa visão surgiu-lhe uma figura colossal, que na oportunidade se auto denominou Vohu Manah (Bom Pensamento). Esta figura teria levado Zoroastro à presença de outra divindade cósmica que era tida como “sábio senhor”, e que atendia pelo nome de Ahura Mazda, o qual instruiria-o quanto à verdadeira religião.

Após este fato incomum, ele teria dedicado os próximos dez anos de sua vida à propagação das verdades recém-descobertas, mas de forma modesta e sem alcançar adesão significativa entre seus ouvintes.

O movimento iniciado por Zoroastro obteve expressividade somente quando ele conseguiu que o príncipe Vishtaspa aderisse às suas idéias e, não só isso, antes, Vishtaspa cooperou com Zoroastro na divulgação de seus conceitos. Este significativo apoio foi decisivo para o rápido crescimento zoroastrista nos anos que se seguiram.

Estes tradicionais registros de fatos pertinentes à história do zoroastrismo trazem em seu bojo referencias de duas guerras ditas “santas” que teriam ocorrido em razão da fé que se apresentava, sendo que, no segundo conflito, Zoroastro teria morrido, quando então já contava setenta e sete anos de idade.

Sua morte, de qualquer forma, jamais impedira a resistência do movimento zoroastrista bem como seu crescimento, embora este ocorresse de forma tímida. Seus seguidores, imediatamente, se desfizeram das práticas místicas e cessaram a adoração que se prestava a vários ídolos, até então exercidas entre os adeptos, estabelecendo a partir daí uma crença monoteísta que também sustentava a certeza na existência do céu e do inferno.


O cânon zoroastra

O livro sagrado do zoroastrismo é conhecido pelo nome típico de Avesta, originalmente redigido num antigo dialeto iraniano, o avestan. A obra original, entretanto, já não existe, à exceção de pequenos fragmentos, algo em torno de dez por cento do que se acha no Livro Máximo do cristianismo, a Bíblia.

Alexandre, o grande, destruiu o que pôde do Avesta. Mas o que restou do zoroastrismo foi reconstituído, e isso, em cinco partes: Yasna, a liturgia; Gathas, os hinos supostamente escritos pelo próprio profeta; Vispered, o ritual organizado, Yashta, os hinos dirigidos a anjos e divindades secundárias; Vendidad, o relato da criação; e Khorda Avesta, orações breves para o uso dos fiéis.


Pontos doutrinários básicos do zoroastrismo

A doutrina zoroastra encontra maior representação na figura de seus sacerdotes, os quais são conhecidos por magi, francos praticantes das artes mágicas quando o ritual se refere à comunhão com Deus. É daqui que deriva a nossa palavra portuguesa “mágica”.

De acordo com o zoroastrismo, existe apenas uma divindade a qual se possa aplicar o título de verdadeira e para a qual devemos declinar adoração. Seu nome é Ahura-Mazda, o “senhor sábio”. Porém, a tradição revela que posteriormente à implantação deste conceito, o supremo ser sofreria uma severa oposição de outra entidade espiritual poderosa, conhecida como Angra-Mainyu, ou Ahriman (espírito mau). Esta animosidade estaria presente entre estas duas criaturas espirituais desde o começo de toda existência.

São os dois espíritos primários, segundo a crença do zoroastrismo, os quais, numa visão sucedida com o fundador, revelaram-se como gêmeos, então classificados como “Melhor” e “Mau”, em pensamentos, palavras e ações, entre os quais, apenas os sábios sabem definir corretamente cada personalidade.

A união que se consagrou entre estes dois seres no princípio estabeleceu a Vida e a Não-vida, de onde se definiu a realidade de uma “pior existência”, popularmente chamada “inferno”, e que se reserva para aqueles que seguem a mentira. Do outro lado, o chamado “melhor pensamento” (paraíso), está preparado para os que seguem o que é correto.

Isto ocorre como reflexo do que houvera no princípio com os dois espíritos gêmeos, isto é, Angra-Mainyu, o espírito que seguiu a mentira, que preferiu fazer as piores coisas, e Ahura-Mazda, o mais “santo”, que escolhera a prática do que é correto. Estes dois poderes têm atuado juntamente desde o princípio de todas as coisas, sendo certo que esta aversão mútua persistirá até o fim do mundo.

Finalmente, é válido destacar que o zoroastrismo foi uma das primeiras profissões de fé a propagar a esperança de uma vitória definitiva do bem sobre o mal, além do dogma que define um juízo vindouro para aqueles que preferiram seguir o mau caminho, bem como a recompensa que se reserva para todos os que se tornaram partidários do bem.


Influências religiosas

Os mais conceituados estudiosos da matéria religiosa têm observado uma clara influência do zoroastrismo nas três principais religiões do mundo, ou seja, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Segundo eles, sua contribuição para o judaísmo é observada por duas vezes: em 538 a.C., oportunidade em que os persas, sob o comando de Ciro, conquistaram a Babilônia e libertaram os judeus que se achavam em exílio naquela região; e em 330 a.C., quando o império persa foi destruído por Alexandre, o Grande. Nestas épocas, o povo judeu se achava sob o governo dos zoroastristas.

Segundo os estudiosos, parece ter sido desta classe religiosa, que os judeus teriam aprendido a crer num Ahriman, isto é, num “diabo” pessoal, personalidade que, no hebraico, receberia o nome de Satanás. Atribuem que também vem da cultura zoroástrica a crença num céu e num inferno, e num dia de julgamento no qual cada indivíduo será avaliado segundo suas obras.

Ensinam estes eruditos, ainda, que de todas as novas religiões extrabíblicas, o zoroastrismo é a única que teve suas doutrinas emprestadas para serem inclusas na Bíblia. É reconhecido por todos que o Antigo Testamento em todo o seu contexto épico e incluindo o livro do profeta Isaías e o exílio, tem como fonte originária de todas o Deus Yahweh.

Após o exílio, entretanto, constatou-se uma sutil mudança. Realizada uma comparação entre dois relatos paralelos de uma mesma experiência do rei Davi, esta mostra que um documento pós-exílico substitui “Iavé” (1Cr 21.1) por “Satanás”, no relato pré-exílico (2Sm 24.1). Destarte, “Satanás” acaba por não se constituir numa figura originária da Bíblia, antes, fora ali esculpido a partir do conhecimento extraído do zoroastrismo.

É possível, partindo deste fato, comentam os eruditos, que outras inovações tenham sido extraídas da doutrina zoroástrica pelos hebreus após o contato direto que eles tiveram com esta religião durante o exílio babilônico.

Neste mesmo exemplo pode-se aproveitar a idéia de uma constituída doutrina na área da angelologia e da demonologia; de um grande Salvador ou Libertador que viria; de uma ressurreição e julgamento finais, além de uma existência no pós-morte bem definida. Alegam ainda que se pode ter por certo que a palavra “paraíso” proclamada por Jesus em Lucas 23.43, ao menos em sua etimologia, deriva-se de uma forma persa, o avestan “pairidaeza”.


O zoroastrismo hoje

Observa-se nos anais das principais religiões do mundo, o arrolamento de seguidores que sempre excede os milhões. Baseados nesta perspectiva astronômica temos que a presença do zoroastrismo no mundo, se apreciada a partir de sua representatividade, é ínfima. O número de seguidores dos ensinos de Zoroastro, na Índia e Paquistão, estaciona na marca dos cem mil.

Dado o fato de não admitirem mais convertidos entre suas fileiras, a automaticidade da extinção do grupo já mostra seus sérios efeitos. O Irã também acomoda alguns milhares de deptos de Zoroastro, havendo comunidades ainda menores na América do Norte, na Grã-Bretanha, na África Oriental e em Hong Kong.

A diminuta sociedade zoroástrica, entretanto, apresenta riqueza de idéias, quando comparada às demais religiões bem estabelecidas entre os homens, o que fica evidenciado na influência que ainda exercem nos povos entre os quais se abrigam.


Parses, os cultuadores do fogo

Os parses eram seguidores do zoroastrismo que migraram para o Oriente, a fim de escapar da destruição sob Alexandre, o grande. O parsimo é um sinônimo de zoroastrismo que foi incialmente assim denominado pelo fato de sua fundação encontrar raízes em Pars, ou Pérsia. Atualmente, existe uma forma de parsismo na Índia, mais especificamente na antiga Bombain, atual Mombai. Este grupo procura dar continuação à fé de Zoroastro, e o uso do Avesta e tem como característica principal a adoração ao fogo e ao sol que são tidos como símbolos do espírito puro e do domínio universal e supremo. Por esta razão os parses são considerados os cultuadores do fogo.


Amesha-stentas, a dualidade zoroastra

Os propagadores da crença zoroastrista, no decorrer do desenvolvimento da doutrina, promulgaram sete atributos opostos para cada uma de suas divindades (Ahura-Mazda e Angra-Mainyu), relação que recebeu o título de Amesha-stentas. Esta relação se resume em correspondentes contrários, que são:


Ahura-Mazda / Angra-Mainyu

Deus da luz / Deus das trevas

Direito e justo / Falso

Boa mente / Mente ruim

Poder / Covardia

Amor / Pretensão falsa

Saúde / Miséria

Imortalidade / Aniquilamento

...

FONTE - SITE ICP 


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